Antigamente eu dizia assim: existem três maneiras de você conhecer uma pessoa:
1) casando; 2) trabalhando; 3) viajando.
Os anos se passaram e eu continuo acreditando nisso, porém reformulei um pouco meu pensamento em relação a se conhecer. Mantenho o “trabalhando” e o “viajando”,mas substituo o “casando” por “separando”. É, hoje eu acho que mais do que casando, é separando que você conhece realmente quem foi aquela pessoa com quem você deitou durante alguns anos da sua vida. Isso pode te trazer alegrias, ou uma profunda decepção, ou quem sabe até muitas surpresas. Em qualquer um dos casos não desanime e pense como Roberto Carlos, “se chorei, ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”.
Não acredito que os seres humanos nasceram para ser sozinhos. Quem gosta de almoçar sozinho ? Ou viajar sozinho ? Ou até mesmo comprar uma roupa sozinho ? Tudo bem, às vezes nada melhor do que você passar um período em sua própria companhia, mas depois de um tempo a alma começa a sentir necessidade de uma outra opinião. Você então começa a se relacionar com alguém e é aí que mora o perigo, porque se por um lado o ser humano não foi feito para viver sozinho, por outro, se relacionar é uma das artes mais complexas da humanidade. Tudo bem que no início tudo são flores, mas passado o início (que por sinal é um período bem curto) o buraco negro se abre. E é aí que entra a tal separação ! Foi aí que me surgiu uma questão: se juntar pessoas é sempre tão difícil, mas sozinhos também não sabemos ficar, será que o ser humano foi feito para se separar ? Então talvez seja até por isso que separando é a forma mais eficaz de se conhecer alguém. Mesmo porque as máscaras caem, ninguém quer mais agradar ninguém e vem à baila a REAL personalidade de cada um, com seus egoísmos, mesquinharias, chatices etc, etc. E como só depois da separação você passa a ser você mesmo, é aí que vai dar para avaliar se durante aquele tempo existiu mesmo amizade, consideração, carinho, ou se tudo não passava de fachada. Divagando assim, então me pergunto de novo: será que separar muitas vezes pode até significar unir ? Sim, porque fica tudo tão sincero, tão real. Os terrenos se delimitam, é tomada uma certa distância, as coisas muitas vezes clareiam. Deve ser por isso que só damos valor quando perdemos. Como a história do homem que, de saco cheio do sítio que ele já tinha há anos resolveu vendê-lo. Sentou para escrever o anúncio que ele colocaria no jornal. Começou a redigir:
“Vendo sítio maravilhoso, todo arborizado, com um pomar incrível e mais uma horta onde nascem sempre coisas deliciosas. Uma casa acochegante, estilo colonial, super bem decorada, com lareira, forno a lenha de pizza, quartos amplos, cheio de armários. Uma piscina aquecida, linda, com um escorrega delicioso. Em cima de uma montanha que tem uma vista deslumbrante para o infinito...”
Daqui a pouco ele parou e se deu conta do que ele mesmo estava escrevendo. Leu todo anúncio e concluiu:
Puxa vida, que lugar maravilhoso! Não tem dinheiro no mundo que pague isso. E desistiu!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
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